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As
Peneiras da Sabedoria
Autor
Desconhecido
Um homem aproxima-se de seu
Mestre e lhe diz:
- Mestre, vou lhe contar o que disseram do
João...
O Mestre, com sua infinita sabedoria, responde:
- Calma, José. Antes de me contares algo que possa ter relevância,
te pergunto: Já fizeste passar a informação pelas Três Peneiras da
Sabedoria?
- Peneiras da Sabedoria? Nâo. Elas não me foram mostradas -
argumentou José.
- Sim José. Só não te ensinei porque não era chegado o momento.
Porém, escuta-me com atenção: Tudo que te disserem de outrem, deve
passar antes pelas Peneiras da Sabedoria e, na primeira delas, a da
Verdade, eu te pergunto:
- Tens certeza de que o que te contaram é realmente verdadeiro?
Meio sem jeito, José replicou:
- Bem. Realmente não tenho certeza. Sei apenas o que me contaram...
O Mestre continuou:
- Então, se não tens certeza, a informação vazou pelos furos da
primeira peneira e repousa na segunda, que é a Peneira da Bondade.
Pergunto:
- Trata-se de algo que gostarias que falassem de ti?
- De maneira alguma, Mestre. Evidente que não!
- Então se trata de algo que passou pelos furos da segunda peneira e
jaz nas cruzetas da terceira e última peneira. Realizo, portanto, a
derradeira pergunta:
- Achas mesmo necessário passar adiante essa estória sobre teu irmão
e companheiro?
- Não. Mestre. Absolutamente! Respondeu José.
- Então, disse o sábio, ela acaba de vazar os furos da Peneira da
Necessidade, perdendo-se na imensidão da Terra. Não sobrou nada para
contar.
- Entendi, querido Mestre. Doravante somente as boas palavras terão
caminho em minha boca.
Finalizou o sábio:
- És agora um Mestre completo. Volta ao teu povo. Afinal, terminaste
o aprendizado. Lembra-te sempre, todavia: As abelhas, construtoras
do Criador, nas imundícies dos charcos, buscam apenas as flores para
sua laboriosa atividade, enquanto as nojentas moscam buscam, em
corpos sadios, as chagas e feridas que as mantém vivas. |