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Amar é arriscar!


Abra o coração e experimente a ousadia de viver um grande amor.

POR SUZANA LAKATOS


As primeiras vivem buscando o príncipe encantado (que nem existe!), enquanto as segundas aprenderam a não confiar em ninguém e estão convencidas de que, na dura realidade da vida, não há espaço para relacionamentos que proporcionem alegria, prazer e uma deliciosa sensação de encantamento. Para ambas, portanto, o amor e os homens de carne e osso não oferecem satisfação alguma. O que, se a gente pensar bem, é uma grande injustiça, tanto com o amor quanto com os homens.

O risco da auto-suficiência E se, antigamente, ir para um convento parecia a única saída para quem decidia se fechar para o amor, hoje o refúgio predileto das mulheres que tiveram o coração partido é a auto-suficiência. "Posturas do tipo 'cada um na sua' e aquela história do 'vai ficando e, se não der certo, separa' são mais valorizadas atualmente do que a idéia de construir uma relação. E o que muitos acham ser um sinal de independência é, na verdade, auto-suficiência", alerta Isabel Khan.

Na explicação da psicóloga, a pessoa independente confia em si mesma e relaciona-se com os outros numa boa, sem se sentir ameaçada. Ela vê no parceiro uma companhia desejável, mas também sabe, e aceita com naturalidade, que ambos têm fragilidades e que todo relacionamento envolve imprevistos e até o risco de uma ruptura. Já a auto-suficiente acha-se invulnerável e busca uma realização solitária. Seu lema é "não espero nada de ninguém e, portanto, não sofro. Estou na minha".

Fechar-se para o amor, claro, não implica necessariamente viver o tempo todo de cara amarrada ou ter uma postura amargurada diante da vida. Há mulheres que criam estratégias diferentes para evitar os jogos de sedução e impedir que a paixão aconteça nas suas vidas. Como, por exemplo, a brincalhona, que faz piada de tudo e é expert em desmontar qualquer tentativa de aproximação masculina.

Ou aquela que, minutos depois de ser apresentada a um cara, já vira a maior confidente dele - provavelmente, nenhum homem se arriscaria a perder uma amigona tão bacana fazendo insinuações amorosas para ela. E o que dizer da baladeira, sempre pulando de agito em agito, o que não lhe dá tempo de investir numa paquera a longo prazo? Ou a workaholic, tão imersa no trabalho que simplesmente elimina qualquer possibilidade de perder algumas horas do dia com coisas prazerosas, como conhecer gente nova, curtir programas divertidos, paquerar, namorar. amar!

Sinais de alerta Reconhecer que isso está acontecendo na vida da gente é o primeiro passo para mudar a situação. E fica mais fácil quando começamos a prestar atenção em certas crenças, como achar que homem não faz falta e que ninguém consegue ser feliz no amor. Outro indício de que a mulher está fechando o coração é se pegar fazendo discursos do tipo "não vou pôr um filho no mundo para sofrer", ou "meu cachorro é o único que não me decepciona", ou "não existe homem que valha a pena". Quando uma dessas frases passa pela cabeça, é hora de parar tudo. E refletir sobre o que significa amar pra valer: aceitar que talvez os sininhos não toquem quando rolar o primeiro beijo (mas podem tocar, sim, no segundo ou no terceiro...), que toda relação traz um pouco de insegurança e que é preciso boa vontade para conviver com o fato de que nem sempre o ser amado estará disponível para satisfazer nossos desejos.

Claro que, até certo ponto, o sonho de encontrar um príncipe encantado é acalentador. O desejo de ter alguém que nos paparique e aplaque nossas dores é natural. Mas, se pensarmos que só os príncipes valem a pena, nos fechamos para os sapos da vida real. Crescer, porém, significa aceitar que não há príncipes nem sapos. apenas homens. E é no convívio com eles que um amor de verdade pode acontecer. Basta dar uma chance ao coração. Afinal, como diz o ditado, quem não arrisca... não petisca.

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