O beijo no sapo
Estar solteira ou
solteiro nunca foi fácil, mas, com o passar do tempo, as coisas vão ficando
mais difíceis para esse time que aumenta a cada dia. Os adolescentes
ingressam nesse time e vão experimentando as várias formas de relação e os
adultos, cada vez mais adolescentes, vão retornando em números cada vez
maiores a essa condição.
Os casamentos no Brasil, segundo a maioria das estatísticas, duram, em média
dez anos, o que significa que todo dia um casamento acaba lançando mais duas
pessoas na busca por um par. Lógico que esta busca não é imediata, que os
ressentimentos atrapalham, mas uma hora as coisas melhoram e este indivíduo
vai cansar da solidão e vai procurar alguém.
Hoje a Internet, com sua infinidade de salas de bate papo, faz o papel da
pracinha, do shopping, da paquera de carro e do barzinho, nos dias em que as
pessoas estão sem dinheiro ou a moçada sem mesada. São horas em frente ao
computador fazendo a paquera on-line, com foto, ficha "técnica" e pretensões
do moço ou da moça. É verdade que tem muita enganação, que as fotos, às
vezes são melhores que ao vivo, mas a coisa funciona e acaba, dependendo da
conversa, num encontro cara a cara.
Procurar um par não é tarefa simples, envolve muito empenho, dedicação e
tempo. A maioria das pessoas sai a noite ou vai a uma balada, sempre
esperando encontrar o príncipe ou a princesa encantada, não apenas para se
divertir ou conversar com os amigos e, quem disser que não é assim, está
enganado. É verdade que a maioria das pessoas acaba beijando muito sapo,
esperando que vire príncipe, no caso das mulheres, e muita pata esperando a
princesa, no caso dos homens.
O problema das mulheres é mais complicado. Estar namorando é status para
todos, mas, no caso da mulher, a coisa é mais difícil, pois ela sofre
discriminação das próprias amigas e colegas que podem temê-la como
concorrente quando não está namorando. As mulheres competem entre si nas
conquistas masculinas e isso é assim desde o começo dos tempos, muito pela
educação que recebem, muito pelo papel passivo que desempenham nas paqueras
e também pela cobrança que sofrem. Essa cobrança vem de todos os lados: dos
amigos, da família, dos colegas e dela mesmo. Estar namorando é uma
necessidade afetiva, social e muito de sua auto-estima depende dessas
conquistas, pois algumas mulheres se enxergam através de seus namorados.
Os homens são mais tranqüilos, ficam menos ansiosos, escolhem com mais
calma, pois não são tão cobrados pelos amigos e pela família. Logo, a vida
dos homens é mais leve nesse sentido e eles se dão mais tempo para resolver
suas necessidades afetivas, pois nunca vão ficar para TITIO e estão sempre
na parada.
Como se vê, as coisas mudaram, mas não muito em todos esses anos de
conquistas e liberações. Estamos mais livres e mais ansiosos do que nunca.
Mas uma coisa é certa, todos têm o direito de encontrar seu par e todos
acabam encontrando, mais cedo ou mais tarde.
Portanto, SOLTEIROS MECHAM-SE!
Sua “cara-metade”, com certeza esta lá fora, em algum lugar lhe esperando.
Silvana Martani – Psicóloga e especialista em obesidade da Clínica de
Endocrinologia da Beneficência Portuguesa.
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