Essa gente não
confia nem em sua própria mãe.
Assim são os desconfiados: praticamente não têm amigos, apenas se relacionam com
os outros de maneira utilitária, e raramente se mostram solidários. Para eles,
toda pessoa é potencialmente culpada até que se prove o contrario.
Costumam ser calados, e quando falam, o fazem de forma bastante reservada.
Quando parece que vão nos confiar alguma coisa mais pessoal, desconversam com um
comentário absolutamente vago.
O excesso de prudência os torna chatos: nunca dizem
nada inesperado ou surpreendente. Conversar com eles é a mesma coisa que
manter um diálogo com um comerciante calculista: não raciocinam, especulam; não
dão, vendem: não recebem, cobram.
São aquele tipo de pessoa de
quem se diz que é "fechadão" ou "seção". Você nunca
fica sabendo como foram os relacionamentos anteriores, e nem o que o desconfiado
sente por você. Dão presentes muito ocasionalmente, pois eles não querem
parecer sentimentais. Para eles, nenhuma prova de amor é suficiente, pois eles
não acreditam no amor desinteressado. Exigem muito e oferecem pouco. Você fica
sabendo que perderam o emprego duas semanas depois de ele ter terminado o aviso
prévio!
Mas o que é pior: Desconfiam até da sua sombra.
Se você se enfeita, acham que você tem um motivo "suspeito". Se você estava ao
telefone, você ouvirá uma verdadeira inquisição de perguntas, com agressividade
rancorosa, já te condenando antes de ouvir qualquer defesa: "Com quem você
estava falando por tanto tempo???", perguntam.
Se você comenta algo sobre uma pessoa que eles sabem que é bonita, isso lhes
parece um "sinal": você prestou atenção demais na beleza alheia, e portanto
sentiu atração por outro(a).
Enfim, é no amor que os desconfiados mostram sua faceta
mais irritante, quase psicótica. E leva tempo até que você consiga ganhar
sua confiança, então nosso conselho é: tenha fôlego!
Você nunca sabe de nada por
intermédio deles, mas eles sempre estão a par de tudo.
Não tem colegas, mas aliados ocasionais. Mesmo sendo ateus, suspeitam que
Deus criou o mundo apenas para prejudicá-los. Se dão muito bem com o chefe e
jamais participam de uma greve. Não formam parte de grupo algum, apenas dos que
podem lhe proporcionar um aumento de salário.
Se são caixas de um supermercado, por exemplo, revisam
todas as pessoas que têm alguma sacola para verificar se não roubaram nada.
Se são donos de um supermercado, não contratam empregados com filhos. As
crianças poderiam ficar doentes e a empregada faltaria ao trabalho.
Mesmo
para as poucas pessoas que se sentem seus amigos, eles não dão muita confiança.
Jamais fazem uma confidência, mas ouvem com
interesse as confissões dos outros e sabem manter segredo. Ao revelarem algo
sobre si mesmos, se sentiriam cúmplices do seu interlocutor, e escolhem se
preservar de tal possibilidade.
Leandro Viana

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