Fernanda Dannemann
Romance
e trabalho juntos podem se tornar uma mistura explosiva com conseqüências
indesejáveis. Quando as emoções saem de controle e se perde a noção do bom
senso, transformando o escritório em cenário de vida amorosa, o risco é
grande.
Mas o que fazer quando aquela pessoa que faz o seu coração bater acelerado e
transforma cada dia num dia especial, trabalha na mesa ao lado?
Quando o objeto da sua paixão se encontra a poucos metros de você, as oito
horas de expediente podem se transformar em oito horas de emoção.
A vida social e a vida profissional podem se misturar, seja pelo fato das
pessoas passarem a maior parte de seu tempo nas empresas aonde trabalham, ou
porque não sobra muito tempo para se conhecer pessoas em outros lugares. O
fato é que se apaixonar por alguém com quem se trabalha torna-se cada vez
mais comum.
Como as empresas se posicionam:
Se nos Estados Unidos é totalmente proibido e uma simples gentileza pode ser
confundida com assédio sexual e acabar nos tribunais, no Brasil as empresas
são mais flexíveis.
Algumas são contra relacionamentos amorosos entre funcionários, por
acreditar que o amor e trabalho prejudicam a produtividade. Outras, porém,
entendem que o romance entre funcionários pode aumentar o rendimento dentro
da empresa.
Há ainda uma terceira categoria: aquelas que têm uma visão intermediária, ou
seja, aceitam a situação desde que ela não envolva chefe e subordinado ou
que o casal não seja do mesmo departamento.
É preciso levar em conta o ponto de vista da empresa e saber que:
...o relacionamento afetivo no ambiente profissional pode atrapalhar ou
aumentar a produtividade, dependendo do perfil da pessoa. Portanto, ao
envolver-se com um(a) colega de escritório, o ideal é que você combata a
dispersão e dedique-se ainda mais ao trabalho.
...com a proximidade do(a) parceiro(a), o contato do casal torna-se muito
grande e é possível que, pelo menos no começo, haja a tendência de bater
papo, tomar muitos cafezinhos, atrasar no almoço, e interromper o trabalho
durante o expediente.
Isso indica que o tempo que deveria estar sendo direcionado a serviço da
empresa não está sendo utilizado de forma adequada.
...o romance desperta a vontade de estar no escritório, o que aumenta o
interesse da pessoa pelo universo profissional, o que pode gerar resultados
positivos.
Como tudo começa com a admiração, é provável que ambos dêem o melhor de si,
o que resultará no aumento da produtividade.
Se o relacionamento interferir no trabalho ou tiver repercussão na empresa,
um dos dois será o escolhido, seja para receber uma promoção, como para ser
demitido.
Dificilmente os planos de carreira estarão acessíveis para os dois.
Assédio sexual no Brasil
Todo o cuidado é pouco. Em maio último, foi sancionada pelo presidente
Fernando Henrique Cardoso a lei que prevê até dois anos de prisão para quem
cometer assédio sexual dentro das empresas.
A lei diz que corre o risco de ir para a cadeia a pessoa que "constranger
alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual,
prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou da
ascendência inerentes a exercício de emprego, cargo ou função".
A autora, a deputada federal Iara Bernardi (PT-SP), explica que a lei vale
para homens e mulheres, e que a intenção não é proibitiva, mas sim a de
evitar abusos. Em outras palavras, o respeito e a educação é que estabelecem
os limites entre assédio e paquera.
O terapeuta Sergio Savian, autor de diversos livros sobre paquera, lembra
que "basta uma única cantada grosseira para caracterizar o assédio. Mesmo
sutil, a insistência não correspondida também pode originar uma denúncia".
Por isso, ele sugere a discrição como melhor método para esses casos.
Segundo Savian o melhor é 'ir em frente e insistir somente se houver sinais
claros de que se está sendo correspondido(a)".

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